Aspectos da cognição no idoso.
Atenção
A atenção sofre mudanças fisiológicas no processo de envelhecimento. Mais do que assumir uma redução global da atenção, os interesses e a persistência da atenção mudam ao longo do tempo.
É extremamente comum encontrarmos idosos que relatam não terem mais interesse por livros, filmes complexos e até conversas longas sobre assuntos de média complexidade.
Isto ocorre porque a persistência da atenção é reduzida juntamente com os outros processos cognitivos.
A atenção exige que o alvo da atenção seja suficientemente importante ao ponto de o córtex pré-frontal reduzir a percepção das centenas de outros estímulos e focar em somente uma atividade. Este evento é desgastante e demanda energia para ser feito. A continuidade da fixação da atenção só pode ser feita pelo interesse, e este só se perpetua se há compreensão do assunto envolvido.
No envelhecimento normal, existe queda do nível de atenção que não é significativa ao ponto de gerar prejuízo de compreensão, ou dificultar a interação com os outros. Quando esta peça importante da cognição não é efetiva, normalmente há reações de raiva, irritabilidade e percepção de desconforto psíquico, sendo fonte de ansiedade.
Alterações na atenção sozinhas não são responsáveis por quadros de demência, uma vez que há uma enorme diversidade de eventos capazes de gerar um déficit nesta área cognitiva.
Este espaço objetiva ser área comum para troca de informações sobre Cognição, Demências e Envelhecimento, com direcionamento principal para tópicos da área de Neurogeriatria.
Seja bem vindo.
Esse século é voltado para a troca de experiências. Suas impressões e dúvidas são bem vindas.
Deixe sempre seus comentários.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Aspecto cognitivo no envelhecimento
Cognição no envelhecimento -
Durante o processo natural de envelhecimento, conforme já comentado, várias funções orgânicas mudam, gerando adaptações a uma nova realidade, com novas demandas.
Da mesma maneira que o vigor e a força em geral são reduzidos, a vida cognitiva também se altera.
As percepções da realidade vão transformando, as vias sensoriais transmitem sinais diferentes daqueles aos quais o indivíduos estavam adaptados 20 ou 30 anos antes. Os sabores, odores, sensações térmicas, destreza, posicionamento espacial. Todas essas informações passam a ser diferentes – parte porque as memórias do passado assumem características emblemáticas, e parte porque as vias de transmissão de informação já acumularam diminutos erros em número suficiente para gerar prejuízo de função.
Isto justifica o saudosismo tão comum, uma vez que indubitavelmente a impressão é que no passado tudo era melhor. Quem nunca ouviu a frase: "Esse sorvete não é mais como antigamente" ou "... no meu tempo se fazia batatas-frita de verdade".
Este mesmo saudosismo que se instala é acompanhado da falta dos amigos, da falta de interação produtiva com as gerações posteriores, o que tende a manter o foco da existência no passado. A dificuldade de comunicação com os descendentes faz com que seja mais difícil se relacionar com as novas tecnologias, o que invariavelmente gera medo – produto da ignorância.
Processo similar ocorre com a capacidade de juízo. Este depende de várias funções corticais superiores de análise, memória, e programação – capacidade abstrata de projeção, de previsibilidade –. Como a capacidade de analisar o mundo esta deturpada, pelo vínculo com o passado, pela dificuldade de entender o novo, somada a memória deficitária, este assume posições cada vez mais conservadoras, inflexíveis e repetidas. O que novamente amplia o isolamento social experimentado pelo idoso.
A memória, queixa mais frequente dos pacientes, é a função que mais evidentemente gera frustrações e não pode ser ocultadas dos familiares por muito tempo. Até o momento, sabemos que a formação de memória necessita de vínculo afetivo com o fato, e reverberações do evento. Evidentemente, para que se forme vínculo afetivo, a interpretação e adequado entendimento são fundamentais.
Esse é o motivo de os idosos que trabalham por mais anos, fazem atividade física, estudam por mais anos, possuem maiores círculos de relacionamentos têm menos efeitos sobre a memória, e sobre a cognição em geral. Como também usufruem mais vantagens nesse novo momento – instigante e desafiante. Viver com mais experiência, vicissitudes, tranquilidade, conhecimento de si e do próximo caracterizam vantagens extremas em um mundo cada vez mais competitivo, no qual o superficial é a regra. Invariavelmente a velhice é um sucesso evolutivo, pois a alternativa é não viver.
Importante salientar que a vida na velhice é um reflexo da vida antes da velhice. E que os processos descritos neste post são comuns ao envelhecimento normal, sem comorbidades ou eventos cataclísmicos.
Não existe manobras salvadoras, pílulas mágicas, massagens enigmáticas que consigam transformar uma vida mal conduzida em uma velhice plena.
Durante o processo natural de envelhecimento, conforme já comentado, várias funções orgânicas mudam, gerando adaptações a uma nova realidade, com novas demandas.
Da mesma maneira que o vigor e a força em geral são reduzidos, a vida cognitiva também se altera.
As percepções da realidade vão transformando, as vias sensoriais transmitem sinais diferentes daqueles aos quais o indivíduos estavam adaptados 20 ou 30 anos antes. Os sabores, odores, sensações térmicas, destreza, posicionamento espacial. Todas essas informações passam a ser diferentes – parte porque as memórias do passado assumem características emblemáticas, e parte porque as vias de transmissão de informação já acumularam diminutos erros em número suficiente para gerar prejuízo de função.
Isto justifica o saudosismo tão comum, uma vez que indubitavelmente a impressão é que no passado tudo era melhor. Quem nunca ouviu a frase: "Esse sorvete não é mais como antigamente" ou "... no meu tempo se fazia batatas-frita de verdade".
Este mesmo saudosismo que se instala é acompanhado da falta dos amigos, da falta de interação produtiva com as gerações posteriores, o que tende a manter o foco da existência no passado. A dificuldade de comunicação com os descendentes faz com que seja mais difícil se relacionar com as novas tecnologias, o que invariavelmente gera medo – produto da ignorância.
Processo similar ocorre com a capacidade de juízo. Este depende de várias funções corticais superiores de análise, memória, e programação – capacidade abstrata de projeção, de previsibilidade –. Como a capacidade de analisar o mundo esta deturpada, pelo vínculo com o passado, pela dificuldade de entender o novo, somada a memória deficitária, este assume posições cada vez mais conservadoras, inflexíveis e repetidas. O que novamente amplia o isolamento social experimentado pelo idoso.
A memória, queixa mais frequente dos pacientes, é a função que mais evidentemente gera frustrações e não pode ser ocultadas dos familiares por muito tempo. Até o momento, sabemos que a formação de memória necessita de vínculo afetivo com o fato, e reverberações do evento. Evidentemente, para que se forme vínculo afetivo, a interpretação e adequado entendimento são fundamentais.
Esse é o motivo de os idosos que trabalham por mais anos, fazem atividade física, estudam por mais anos, possuem maiores círculos de relacionamentos têm menos efeitos sobre a memória, e sobre a cognição em geral. Como também usufruem mais vantagens nesse novo momento – instigante e desafiante. Viver com mais experiência, vicissitudes, tranquilidade, conhecimento de si e do próximo caracterizam vantagens extremas em um mundo cada vez mais competitivo, no qual o superficial é a regra. Invariavelmente a velhice é um sucesso evolutivo, pois a alternativa é não viver.
Importante salientar que a vida na velhice é um reflexo da vida antes da velhice. E que os processos descritos neste post são comuns ao envelhecimento normal, sem comorbidades ou eventos cataclísmicos.
Não existe manobras salvadoras, pílulas mágicas, massagens enigmáticas que consigam transformar uma vida mal conduzida em uma velhice plena.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Série de conceitos - Envelhecimento e disabilidades
Envelhecimento
Envelhecer significa acumular diversas experiência em nível pessoal e celular. Estas experimentações vão moldando a nós mesmos e também à nossas células – individualmente. Perdoem a repetição de idéias, mas é fundamental que evite interpretações errôneas.
Os acúmulos de vivências gera somatório de modificações no DNA das células e estas perdem a capacidade de manter suas funções primordiais em pleno funcionamento. Esta é a teoria sobre o envelhecimento mais aceita atualmente, e é complementada por alguns achados de biologia molecular que dão algumas dicas que a evolução gerou padrões "período de vida" para cada espécie.
Cada espécie estaria naturalmente limitada pelo acúmulo de erros ao longo do tempo a um ponto que a maquinária molecular já se tornaria insuficiente para a manutenção do corpo.
Por sermos seres complexos, seres sociais, cuja existência é maior do que a soma de nossas células, o envelhecimento também gera mudanças na psique, na modalidade de interpretar a própria vida.
Consideramos como início do envelhecimento quando uma pessoa começa o processo de acúmulo de perda de funções. Isso geralmente é visível a partir dos sessenta anos, e genericamente consideramos esta fase como envelhecimento humano.
Envelhecer significa acumular diversas experiência em nível pessoal e celular. Estas experimentações vão moldando a nós mesmos e também à nossas células – individualmente. Perdoem a repetição de idéias, mas é fundamental que evite interpretações errôneas.
Os acúmulos de vivências gera somatório de modificações no DNA das células e estas perdem a capacidade de manter suas funções primordiais em pleno funcionamento. Esta é a teoria sobre o envelhecimento mais aceita atualmente, e é complementada por alguns achados de biologia molecular que dão algumas dicas que a evolução gerou padrões "período de vida" para cada espécie.
Cada espécie estaria naturalmente limitada pelo acúmulo de erros ao longo do tempo a um ponto que a maquinária molecular já se tornaria insuficiente para a manutenção do corpo.
Por sermos seres complexos, seres sociais, cuja existência é maior do que a soma de nossas células, o envelhecimento também gera mudanças na psique, na modalidade de interpretar a própria vida.
Consideramos como início do envelhecimento quando uma pessoa começa o processo de acúmulo de perda de funções. Isso geralmente é visível a partir dos sessenta anos, e genericamente consideramos esta fase como envelhecimento humano.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Série de conceitos - Cognição e Demência
Já que começamos, temos que unificar os termos. O intuito é fazer pequenos textos, para que as pessoas leiam. A medida que for surgindo outros comentários vamos aprofundando mais.
O primeiro passo é irmos construindo conceitos para que possamos reduzir os ruídos na comunicação. Isto não será tarefa fácil, pois evidentemente que esse terreno é arenoso, difícil de objetivar, uma vez que é a última fronteira do conhecimento humano.
Cognição
Quando falamos em quadro cognitivo, temos que ter como foco que mais do que regiões do cérebro, estamos lidando com funções, e neste ramo do estudo da Neurologia essas funções exigem diversas áreas.
Cognição é a capacidade de relacionar – de maneira que o resultado da soma das parte é maior do que o conjunto propriamente dito – e ter conhecimento de si e do que o cerca. Processo que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juizo, imaginação, linguagem e pensamento.
Demência
Quando falamos em quadro cognitivo, temos que ter como foco que mais do que regiões do cérebro, estamos lidando com funções, e neste ramo do estudo da Neurologia essas funções exigem diversas áreas.
Demência significa perda de funções cognitivas ao ponto de gerar prejuízo das atividades normais do indivíduo.
Quadro demenciais podem afetar funções diferentes da cognição, porém a com maior manifestação clínica é a queixa de perda de memória.
Atualmente o conceito de demência pode prescindir da queixa de memória, mas até pouco tempo esta era a pedra filosofal do diagnóstico de demência.
Conceito chave: Estar demente significa ter perdido funções cognitivas vitais a uma vida plena.
Lembrem-se, esse espaço é para trocas.
Aguardo os comentários.
domingo, 13 de junho de 2010
Início de trabalhos
Amigos e curiosos sejam todos bem vindos.
Este espaço destina-se ao aprofundamento do conhecimento sobre os aspectos Neurológicos do envelhecimento.
O que ocorre conosco, como e porque são os guias de desdobramento deste espaço.
Pretendo trazer temas atuais e posts também de outros profissionais que lidem com o envelhecimento para fazer deste espaço o mais rico possível.
Aguardem nosso primeiro tema de discussões.
Rogerio Pfaltzgraff Lima
Este espaço destina-se ao aprofundamento do conhecimento sobre os aspectos Neurológicos do envelhecimento.
O que ocorre conosco, como e porque são os guias de desdobramento deste espaço.
Pretendo trazer temas atuais e posts também de outros profissionais que lidem com o envelhecimento para fazer deste espaço o mais rico possível.
Aguardem nosso primeiro tema de discussões.
Rogerio Pfaltzgraff Lima
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